Quando nos tiram o chão, mesmo que lá fora seja primavera, os passarinhos cantem e o cheiro das flores voe até ao céu, não há nada que nos faça sorrir.
Em nós fica só aquele nó no estômago, aquela vontade de vomitar e de chorar sem parar.
Vai-se a fome, vão-se as forças, vai-se a vontade de tudo e de nada.
Tudo tem um fim. Sim, todos sabemos isso. Mas viver no faz de conta que o fim não vai chegar é mais fácil, menos doloroso. Estar sempre à espera que ele chegue, viver com isso agarrado a nós, entranhado na pele, é a pior sensação do mundo.
Talvez o problema seja psicológico, não podemos pensar sempre nisso, a vida continua, diriam os entendidos, os psicólogos e os amigos. Mas há dias em que, em nós, a vida não continua. Fica parada naquele momento, naquela notícia. Fica parada naquele nó, como se tivéssemos levado um murro sem reagir. A vida continua lá fora, continua nas pernas e nos braços. Na cabeça e no coração fica parada, angústia seca. Até acabar.
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