segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Tolerância

Há algum tempo atrás comecei a escrever para o jornal da paróquia onde vivo. Sempre gostei de escrever. Escrever podia ser a minha vida. O jornal é trimestral e, para o último jornal do ano pediram-me que escrevesse sobre o Dia Internacional da Tolerância. Não sei nada sobre esse dia. Mas sei alguma coisa sobre a tolerância, mais ainda sobre a intolerância - parece-me que é um mal geral.
Fica aqui o texto, na esperança de tocar alguém (se eventualmente alguém ler este blog).

Dia Internacional da Tolerância - A importância do respeito mútuo
O Dia Internacional para a Tolerância, celebrado a 16 de novembro de cada ano foi Instituído pela ONU em 1995, numa declaração assinada por 185 Estados. Esta é, de facto, uma data digna de ser marcada no calendário e de ser celebrada todos os anos. A tolerância é um dom e, acima de tudo, é um dever.
O líder espiritual Mahatma Gandhi disse um dia, “A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos.”. É por isto que, sendo um dom, a tolerância é um dom difícil. Porquê? Porque todos pensamos e vemos as coisas de forma diferente, porque todos nós somos diferentes. E as diferenças de que falo não apenas culturais e religiosas – essas são muito grandes mas, por vezes, mais facilmente ultrapassáveis. Somos diferentes enquanto pessoas, identificamo-nos com coisas e com pessoas diferentes. Gostamos de coisas diferentes. Queremos coisas diferentes. E tudo isso é natural e legítimo. Dá vontade de dizer que é normal, se conseguirmos definir “normal”. Mas a tolerância é um dom que se adquire através do respeito que temos para com os outros e, sobretudo, para com nós mesmos.
É fácil falar de tolerância religiosa: ficamos impressionados com a recente visita do Papa Francisco à Turquia (país maioritariamente islâmico), e com forma como defendeu e apelou ao diálogo entre religiões. Mas facilmente nos esquecemos de defender a Paz dentro da nossa casa, do nosso local de trabalho, da nossa paróquia.. Esquecemo-nos de ser tolerantes e de respeitar as ideias que são diferentes das nossas porque achamos com forte convicção que as nossas são muito melhores. Esquecemo-nos de ser tolerantes com as crianças porque são crianças e se esquecem facilmente de cumprir regras. Esquecemo-nos de ser tolerantes com os mais velhos, que estão cansados e já não têm forças para fazer as coisas que ficarão para sempre no antigamente. Com os patrões que lidam com dificuldades económicas e fazem ginástica para manter os funcionários. Com os empregados que precisam de dinheiro para pôr comida na mesa. Com o governo por causa de tudo e por causa de nada, porque sim. Com os professores, com o merceeiro, com os catequistas, com o padre, com nós mesmos…até com os animais, que não têm pensamento, mas têm sentimento.

Podemos culpar a globalização, o stress… Ou podemos, nem que seja uma vez por anos, lembrarmo-nos das palavras de Gandhi e renovar o compromisso que assumimos com nós próprios de sermos mais tolerantes, connosco e com os outros. De respeitarmos o que somos e o que poderemos vir a ser. Assim será mais fácil responder ao apelo do Papa Francisco e fazer da nossa missão a alegria do evangelho. 

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