Sábado, 4 de fevereiro de 2017,
tinha tudo para ser um dia normal. Dia de trabalho. Dia de uma série de actividades
semanais que, sendo rotina, são sempre diferentes. Dia de jantar em casa e ver
um bom filme ou meia dúzia de episódios de uma série ao serão, para descansar o
corpo e dar trabalho à mente. Mas neste sábado, o jantar quis-se fora de casa,
a anteceder aquele que foi, sem dúvida, mesmo não sabendo o que está para vir,
um dos melhores serões deste ano que ainda vai no mês 2. A Deolinda, essa banda
cujo determinante artigo definido que lhe antecede o nome está sempre em
dúvida, veio ao Coliseu do Porto e fez a minha noite.
Já tendo visto a Deolinda duas
vezes ao vivo, fui com as expectativas elevadíssimas mas com a certeza de que
não seria nada de novo. Pois bem, ia completamente enganada. Foi como se fosse
a primeira vez. Arrepiei-me à primeira nota da Canção ao Lado e foi esse o meu
estado físico durante quase 2 horas de concerto. Cá por dentro as emoções eram
tantas aos trambolhões que ainda estão em fase de estudo.
Com estes concertos nos coliseus,
a Deolinda comemora 10 anos. Isto significa que ando desde os 18 anos a ser
feliz ao ouvir Deolinda. Lembro-me de ver a banda pela primeira no Top +, na
RTP 1, no início de uma tarde de domingo. E sei que a partir daí nunca mais
deixei de ouvir. Sem dúvida que o que me captou primeiro foi a sonoridade que
bebe muito da música popular portuguesa e do fado. Depois foi a voz da Ana que
eu invejo profundamente: aquela extensão vocal, aquele poder e a emoção que transmite.
E, ao longo do tempo, os incríveis poemas do Pedro da Silva Martins. Sim, disse
poemas. Tudo embalado pelas guitarras, pelo contrabaixo, a bateria e todos os
outros pequenos e impensáveis instrumentos musicais que vão surpreendendo a
cada música, como o patinho de borracha.
E eu escreveria infinitamente
apoiada nos poemas do Pedro que a Ana canta e o Zé e o Luís tocam. Mas só
queria mesmo dizer que a Deolinda fez uma boa parte destes meus últimos 10
anos. Que venham muitos mais 10!