quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Deolindar

Sábado, 4 de fevereiro de 2017, tinha tudo para ser um dia normal. Dia de trabalho. Dia de uma série de actividades semanais que, sendo rotina, são sempre diferentes. Dia de jantar em casa e ver um bom filme ou meia dúzia de episódios de uma série ao serão, para descansar o corpo e dar trabalho à mente. Mas neste sábado, o jantar quis-se fora de casa, a anteceder aquele que foi, sem dúvida, mesmo não sabendo o que está para vir, um dos melhores serões deste ano que ainda vai no mês 2. A Deolinda, essa banda cujo determinante artigo definido que lhe antecede o nome está sempre em dúvida, veio ao Coliseu do Porto e fez a minha noite.
Já tendo visto a Deolinda duas vezes ao vivo, fui com as expectativas elevadíssimas mas com a certeza de que não seria nada de novo. Pois bem, ia completamente enganada. Foi como se fosse a primeira vez. Arrepiei-me à primeira nota da Canção ao Lado e foi esse o meu estado físico durante quase 2 horas de concerto. Cá por dentro as emoções eram tantas aos trambolhões que ainda estão em fase de estudo.
Com estes concertos nos coliseus, a Deolinda comemora 10 anos. Isto significa que ando desde os 18 anos a ser feliz ao ouvir Deolinda. Lembro-me de ver a banda pela primeira no Top +, na RTP 1, no início de uma tarde de domingo. E sei que a partir daí nunca mais deixei de ouvir. Sem dúvida que o que me captou primeiro foi a sonoridade que bebe muito da música popular portuguesa e do fado. Depois foi a voz da Ana que eu invejo profundamente: aquela extensão vocal, aquele poder e a emoção que transmite. E, ao longo do tempo, os incríveis poemas do Pedro da Silva Martins. Sim, disse poemas. Tudo embalado pelas guitarras, pelo contrabaixo, a bateria e todos os outros pequenos e impensáveis instrumentos musicais que vão surpreendendo a cada música, como o patinho de borracha.

E eu escreveria infinitamente apoiada nos poemas do Pedro que a Ana canta e o Zé e o Luís tocam. Mas só queria mesmo dizer que a Deolinda fez uma boa parte destes meus últimos 10 anos. Que venham muitos mais 10!

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Renascer*

Sem escrever desde outubro.
E de repente não pareço eu. De repente olho para mim e não me reconheço. Os meus dedos, que não passavam um dia sem escrever, esqueceram o prazer que era passear sobre as letras. Os meus olhos, que não passavam um dia sem olhar para um livro aprenderam a ignorar as cores das palavras.
De repente perdi a vontade. De repente, as letras, os livros, esses objetos mágicos pelos quais me apaixonei à primeira vista, deixaram de fazer sentido na minha vida. Deixaram de fazer sentido no meu coração.

Agora, aos poucos, tudo se começa a recompor. Parece, pelo menos.
Os olhos sentiram falta de ler palavras. Os dedos de as escrever. E há o sentimento de ter tanto para contar.

9 meses depois. O renascer da esperança.

Veio com a luz do verão.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Professores

No dia 5 de outubro não foi feriado nacional e, segundo consta, as comemorações da Implantação da República Portuguesa (nada de muito importante, portanto..) foram pouco pouco comemorativas. No entanto as redes sociais encheram-se de imagens e textos sobre o Dia Mundial do Professor. E que dia tão importante!
Os professores sempre foram uma parte importante na minha vida. Sempre tive consciência da sua importância na minha educação e formação. A começar pela primeira de todas, a professora Ana!
Não vou mentir, a minha entrada na escola primária não foi fácil. Nunca tinha andado no infantário, estava habituada a estar com a minha mãe o dia todo. Nos dois primeiros dias chorei quando ela me deixou. Fiquei na sala do 2º ano nas primeiras horas porque a professora morava umas casa ao lado da minha. Mas, aos poucos, o sorriso e as palavras meigas da professora Ana conquistaram-me e hoje, passados 20 anos, continuo a escrever-lhe no Natal a contar as novidades. Nunca me esquecerei de como era doce, da sua caligrafia perfeita e dos seus incentivos importantes quando me debatia nos cálculos mais difíceis.
Depois, no 2º ciclo, a professora de português. Calma, carinhosa, com uma voz fantástica. Era a minha disciplina favorita (sempre foi, de resto) e a professora também. Do 3º ciclo não esqueço o professor de Ciências, brincalhão mas incisivo e as professoras de História, que fizeram com que me apaixonasse pelo "passado".
No ensino secundário, não há dúvida: ninguém me marcou como a professora de Português do 11º ano. Foi a professora mais apaixonada que tive e que conheci. entregava-se às aulas, aos alunos mas, sobretudo, às obras. Ao longo desse ano percebi que a língua e a literatura portuguesas eram também o meu caminho, ainda que fosse aluno do curso Científico-Natural! Reencontrei-a há uns anos, em contexto de diversão, e que bom que foi, que é, poder voltar a falar com ela.
Também ficaram marcas da faculdade, como não podia deixar de ser. Muitas marcas. Foram as marcas que definiram o meu caminho e ajudaram a amadurecer a minha forma de pensar e de estar perante a literatura.

Um obrigado seria a palavra menos adequada para expressar o que todas estas pessoas fizeram por mim!

Hoje em dia, não sendo mais aluna, convivo lado a lado com professores. Alguns deles, os meus melhores amigos. E tenho um orgulho desmedido neles porque sei que aquelas pessoas são maravilhosas, são apaixonadas pelo seu trabalho e só podem ser para os alunos aquilo que os meus professores foram para mim!

Parabéns M, I, J, A, B, S, D, L, S, A.. Parabéns a todos os professores pelo seu trabalho, pelo seu esforço diário, pela coragem para enfrentar desafios constantes.

"Ser professor é ser artista malabarista"

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Sol de outono

As últimas framboesas.

O sol morno no céu azul.

As folhas que caem das árvores

O canto dos pássaros que segreda um até já ao verão.

Um livro no colo.

A vida em forma de poema.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Comunicando

O último texto para o JoviJovem foi sobre o importante papel da comunicação social. Numa semana marcada pela drástica crise na Grécia e pela morte de uma figura incontornável da sociedade e da cultura portuguesas, Maria Barroso, fica uma reflexão sobre um instrumento indispensável à sociedade do séc. XXI.

Comunicando
“o tempo e o espaço foram superados, e o homem tornou-se um cidadão do mundo, co-participante e testemunha dos acontecimentos mais distantes e das vicissitudes de toda a humanidade.” Estas foram as palavras do Papa Paulo VI na mensagem que escreveu para o 1º Dia Mundial das Comunicações Sociais, a 7 de maio de 1967.
Esta celebração foi proposta no Concílio Vaticano II e teve como objetivo sensibilizar a Igreja e a comunidade católica para a importância que os meios de comunicação social já assumiam na época.
Se na década de 60 os meios de comunicação social eram muito importantes, actualmente podemos dizer que são imprescindíveis. Os jornais, a rádio, a televisão e até o cinema fazem parte do dia-a-dia de grande parte da população mundial e estão, cada vez mais, à distância de um mero “clic”. A Internet é, em plena segunda década do século XXI o meio de comunicação social por excelência, encerrando nela todos os outros já existentes e acrescentando as redes sociais, através das quais podemos entrar em contacto direto com o outro lado do mundo.
Aquando da instituição da primeira comemoração desta data, o Papa Paulo VI lembrava que a missão dos meios de comunicação social era a de divulgar a palavra, difundir o pensamento, a imagem, a informação, a publicidade. Contudo, deixava também a ressalva de que ao concretizar a sua missão, os meios de comunicação social exerciam uma forte influência na opinião pública e no modo de pensar.
De facto, aquilo que lemos nos jornais, ouvimos na rádio ou até mesmo o que vemos num filme influencia a forma como vemos tudo o que nos rodeia. Mais ainda quando se trata da população mais jovem, aberta a novas descobertas em todas as áreas, disposta a descobrir tudo o que a rodeia. Por isso os meios de comunicação social devem concretizar a sua missão com o máximo de responsabilidade, fugindo à publicidade enganosa. Da mesma forma, quem recebe a informação deve procurar saber ler nas entrelinhas de maneira a não correr o risco de se deixar levar por informação incompleta ou enganosa.
Por outro lado, os meios de comunicação também não podem ser sujeitos a pressões indevidas e ilógicas, quer sejam políticas ou económicas, que limitem a liberdade de expressão e o dever de informar a sociedade. Infelizmente, em pleno século XXI, todos temos consciência de que isso ainda acontece em todas as partes do mundo. Torna-se assim também um dever de cada um de nós o de procurar, pesquisar, denunciar até.
No Concílio Vaticano II a Igreja mostrou-se preocupada com aqueles que trabalham para nos manter a par da atualidade, de tal forma que, todos os anos, no domingo que antecede o Pentecostes, todos os católicos rezam por eles e se comprometem a estar atentos ao mundo que os rodeia.

A comunicação social é e vai continuar a ser uma das ferramentas mais preciosas para uso da humanidade. Parte de cada um de nós, profissional ou não, saber fazer dela o uso mais sábio.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

São João

Cá em casa não houve sardinhada, quer dizer, houve uma sardinhada precoce!
Também não fui ver o maravilhoso fogo de artificio do Porto. Pra ser sincera até adormeci a vê-lo na TV...
Mas o meu São João foi delicioso. Fez-se no domingo anterior, pelo Porto, com o meu primo-irmão, ao sabor dos hambúrgueres do Munchie e dos gelados Santini e ao som dos incríveis Deolinda!
Fiquei fã do restaurante, tendo em conta que não era grande fã de hambúrgueres e também adorei o espaço em que o restaurante está inserido, o Food Corner. Cada vez mais fã de gelados, para mal dos meus pecados... E incrivelmente fascinada com o concerto dos Deolinda. Foi a segunda vez que os vi ao vivo e a terceira que vi a Ana Bacalhau. Que músicos fantásticos, que poder vocal que aquela mulher tem, que interpretações maravilhosas. Sem palavras!
Acredito que o melhor São João ainda está para vir. Mas este foi muito, muito bom!!